 que as moças por vezes davam quando vislumbravam
pela primeira vez o fidalgo a quem tinham sido contratadas
para satisfazer... um olhar que Tyrion Lannister não queria
ver nunca mais.
Ergueu a vela e a observou. Bronn fizera um trabalho
bastante bom; a jovem tinha olhos de corça e era magra, com
pequenos seios firmes e um sorriso que alternava entre
tímido, insolente e malvado. Gostava daquilo.
- Devo tirar o vestido, senhor? - ela perguntou.
- A seu tempo. É donzela, Shae?
- Se isso lhe agradar, senhor - disse ela com um ar recatado.
- O que me agradaria seria obter de você a verdade, garota.
- Está bem, mas isso custará o dobro.
Tyrion decidiu que iam se dar otimamente bem.
- Sou um Lannister. Tenho ouro com fartura, e pode descobrir
que sou generoso... mas quero mais de você do que aquilo que
tem entre as pernas, embora também queira isso. Partilhará a
minha tenda, encherá meu copo de vinho, rirá dos meus
gracejos, massageará as minhas pernas doloridas depois de
cada dia de marcha... e quer se mantenha comigo durante um
dia ou um ano, enquanto estivermos juntos, não levará
nenhum outro homem para a sua cama.
- É justo - ela estendeu a mão até a bainha do vestido de ráfia
e tirou-o pela cabeça, num movimento suave, atirando-o para
o lado. Por baixo, nada havia a não ser Shae. - Se não apoiar
essa vela, meu senhor vai queimar os dedos.
Tyrion apoiou a vela, tomou-lhe a mão nas suas e puxou-a
gentilmente para si. Ela se dobrou para beijá-lo. Sua boca
recendia a mel e a cravo-da-índia, e os dedos mostraram-se
hábeis e cheios de prática ao encontrar os fechos de suas
roupas.
Quando a penetrou, ela o recebeu com sussurros afetuosos e
pequenos e trêmulos arquejos de prazer. Tyrion suspeitava
que aquele deleite era fingido, mas ela o fazia tão bem que
não importava. Não desejava tanta verdade assim.
Mais tarde, deitado em silêncio com a mulher nos braços,
Tyrion percebeu que precisava dela. Dela ou de alguém como
ela. Passara-se já quase um ano desde que dormira com uma
mulher, desde antes da sua partida para Winterfell com o
irmão e o Rei Robert. Podia bem morrer no dia seguinte ou
no outro, e se isso acontecesse, preferia partir para a cova
pensando em Shae do que no senhor seu pai, em Lysa Arryn
ou na Senhora Catelyn Stark.
Sentia a suavidade dos seios dela comprimidos contra seu
braço. Era uma sensação boa. Uma canção encheu-lhe a
cabeça. Suavemente, baixinho, pôs-se a assobiar.
- Que é isso, senhor? - murmurou Shae contra seu corpo,
- Nada - respondeu. - Uma canção que aprendi quando era
rapaz, nada demais. Dorme, querida.
Quando os olhos dela se fecharam e sua respiração se tornou
profunda e regular, Tyrion deslizou por debaixo dela,
gentilmente, com cuidado para não lhe perturbar o sono. Nu,
rastejou para fora, passou por cima do escudeiro e deu a volta
ao redor da tenda a fim de urinar.
Bronn estava sentado de pernas cruzadas por baixo de um
castanheiro, perto do lugar onde tinham os cavalos presos.
Amolava o gume da espada, bem acordado; o mercenário não
parecia dormir como os outros homens.
- Onde a encontrou? - perguntou-lhe Tyrion enquanto
urinava.
- Tirei-a de um cavaleiro. O homem estava relutante em
desistir dela, mas o seu nome mudou um pouco a maneira dele
de pensar... isso e o meu punhal na sua garganta.
- Magnífico - disse secamente Tyrion, sacudindo as últimas
gotas. - Acho que me lembro de ter dito encontre-me uma
prostituta, e não me faça um inimigo,
- As bonitas estavam todas tomadas - disse Bronn. - De bom
grado a levarei de volta, se preferir uma porca desdentada.
Tyrion coxeou até perto do mercenário.
- O senhor meu pai chamaria a isso insolência, e o mandaria
para as minas por impertinência.
- Ainda bem para mim que não é o seu pai - respondeu Bronn.
- Vi uma com o nariz cheio de furúnculos. Quer essa?
- O quê, e quebrar seu coração? - atirou Tyrion de volta. -
Vou ficar com Shae. Por acaso reparou no nome desse
cavaleiro de quem a roubou? Preferia não tê-lo a meu lado na
batalha.
Bronn ergueu-se, rápido e gracioso como um gato, fazendo a
espada girar na mão.
- Terá a mim a seu lado na batalha, anão.
Tyrion fez um aceno. Sentia o ar da noite tépido na pele nua.
- Certifique-se de que eu sobreviva a esta batalha, e poderá
escolher a recompensa que desejar.
Bronn atirou a espada da mão direita para a esquerda e
experimentou um golpe.
- Quem iria querer matar alguém como você?
- O senhor meu pai, para começar. Pôs-me na vanguarda.
- Eu faria o mesmo. Um homem pequeno com um grande
escudo. Vai causar ataques de fúria nos arqueiros.
- Acho-o estranhamente alegre - disse Tyrion. - Devo estar
louco. Bronn embainhou a espada.
- Sem dúvida.
Quando Tyrion regressou à tenda, Shae rolou sobre o cotovelo
e murmurou em voz sonolenta:
- Acordei e o senhor não estava aqui.
- O senhor agora está aqui - deitou-se ao seu lado.
A mão dela enfiou-se entre as suas pernas atrofiadas e o
encontrou duro.
- Ah, aí está - sussurrou, afagando-o.
Tyrion perguntou-lhe pelo homem de quem Bronn a tirara, e
ela disse